Political philosophy

A Soberania Ideológica em um Mundo Multipolar

29.07.2021

No mundo moderno, um modelo multipolar está claramente tomando forma – quase tomando forma. Ele substituiu a unipolaridade que foi estabelecida após o colapso do Pacto de Varsóvia e especialmente da URSS. O mundo unipolar, por sua vez, substituiu o bipolar, no qual o campo soviético se opunha geopoliticamente e ideologicamente ao Ocidente capitalista. Estas transições entre os diferentes tipos de ordem mundial não aconteceram da noite para o dia. Alguns aspectos mudaram, mas outros permaneceram os mesmos por inércia.

O que Aleksandr Dugin, o “Filósofo Mais Perigoso do Mundo”, realmente pensa do Ocidente?

22.07.2021

Na minha opinião, a América não é um ethnos. A América não é um povo. A América não é uma nação. Desde o início, foi uma espécie de sociedade civil baseada na identidade individualista. Tudo foi criado em torno desta norma individualista. É a base da Constituição, da Revolução Americana; não foi uma continuação da história europeia feita pelo ethnos, pelos povos, pelas religiões, pelas nações. Foi algo criado a partir do ponto zero. Uma espécie de sociedade do futuro criada artificialmente, baseada em um princípio que excluía qualquer tipo de identidade coletiva. Mas, como os americanos eram e ainda são humanos, não se podia perceber isto [visão pós-humana] totalmente. Vocês ainda tinham alguns laços com o Outro. Portanto, vocês tinham um simulacro de comunidade, de identidade nacional. Mas o elemento individualista na própria fundação da sociedade americana foi a força que erodiu mais e mais estes princípios, até seu ponto mais extremo hoje. Penso que amanhã falar sobre alguma identidade americana comum será considerado como um discurso de ódio! Já é um crime contra o politicamente correto.

O Império como Forma Mais Completa de Organização Político-Social

30.06.2021

A editora Letras Inquietas acaba de publicar Imperium, Eurasia, Hispanidad y Tradición, uma obra coletiva com a participação de Carlos X. Blanco, Eduard Alcántara e Robert Steuckers. Os ensaios que compõem o livro buscam na Tradição, na História e no presente, aqueles elementos conceituais necessários para uma Teoria do Império que rejeita o atual modelo absorvente, predatório e “imperialista”. Nesta ocasião, EL CORREO DE ESPAÑA conversa com Eduard Alcántara, filósofo e especialista em pensamento tradicionalista.

A Batalha pelo Cosmos na Filosofia Eurasianista

29.06.2021

Os eurasianistas nunca foram materialistas. Neste ponto, eles se encontravam em oposição às principais tendências da ciência moderna. Ao mesmo tempo, porém, para eles era importante não simplesmente afirmar a prioridade dos elementos e princípios eternos - daí a principal tese eurasianista sobre a ideocracia, a ideologia governante, o governo das ideas - mas insistir que o mundo inteiro e toda a realidade, da política à economia e da religião à ciência, fossem permeados de ideias. Petr Savitsky insistiu no conceito de "desenvolvimento de espaço" ou "topogênese" (mestorazvitie). "Desenvolvimento de espaço" é a conjunção do espaço físico com a continuidade de significados históricos, semântica e eventos. O território está inextricavelmente ligado à história, e a história, por sua vez, é uma continuidade de ideias revelando uma única imagem da eternidade monumental que se desdobra através da humanidade e sobre seu caminho espiritual através do tempo.

Nota sobre a Quarta Teoria Política e a dimensão cultural dos povos

25.06.2021

A Quarta Teoria Política é uma metateoria que, por um lado, critica as ideologias nascidas na modernidade, e, por outro, dá apoio ao desenvolvimento de fundamentos que permitam o surgimento de organizações sócio-políticas que sejam a expressão da dimensão cultural de cada um dos povos que existem. Nesse sentido, não há incompatibilidade alguma entre a QTP e a Autocracia Cristã Ortodoxa.

Finalmente no Brasil, o livro “A Quarta Teoria Política” de Aleksandr Dugin

25.06.2021

A dissidência brasileira e todo mundo que possui interesse em filosofia política recebeu uma boa notícia no início do mês, com a divulgação do lançamento em português da obra “A Quarta Teoria Política”, escrita pelo filósofo, antropólogo, sociólogo (etc.) russo Aleksandr Dugin, pela recém-inaugurada Editora ARS REGIA. Não é a primeira vez que esse livro é traduzido ao português, já que a falecida Editora Austral publicou a 1ª edição brasileira da obra em 2012. Não obstante, como a tiragem foi bastante pequena, o livro rapidamente se tornou item de colecionador e há anos é quase impossível conseguir adquiri-lo.

O Quarto Nomos da Terra, a Quarta Teoria Política e a Crítica à Teoria do Progresso

24.06.2021

Não há nada mais trágico do que não ser capaz de compreender o momento histórico em que vivemos hoje. Quando alguém não conhece o momento histórico em que vive e observa o presente com ferramentas conceituais obsoletas, perguntando-se sobre o futuro como se ainda fosse passado, então essa pessoa é incapaz de superar o passado ou de conhecer o presente. Mas qual é o momento histórico em que nos encontramos? O momento histórico em que estamos vivendo é conhecido como globalização pós-moderna.

Bem-vindos, todos os recém-chegados!

19.06.2021

Podemos observar um certo “rito de passagem”. Como tal, interpreto a situação em que culminou a presidência de Donald Trump, nomeadamente com a sua queda pela mão da elite globalista, representada por Joe Biden. Isso nada mais é do que um “rito de passagem” – personificado por desfiles gays, levantes BLM, ataques imperialistas LGBT +, o levante mundial do feminismo extremo e a chegada espetacular do pós-humanismo e da tecnocracia extrema. Existem profundos processos intelectuais e filosóficos por trás de tudo isso. E esses processos têm impacto na cultura e na política.

Guilherme de Occam e a Maldição do Nominalismo

18.06.2021

Muitas pessoas que se consideram intelectuais ocasionalmente repetem a frase “não dupliquemos as essências” e olham em volta triunfantemente, esperando que outros apreciem sua “inteligência”. Parece realmente estúpido, e o próprio conteúdo desta afirmação, que pertence ao fundador do nominalismo, o filósofo medieval Guilherme de Occam, é simplesmente criminoso. É uma blasfêmia grosseira e imunda, uma espécie de profanação metafísica – falsa e insultuosa. E é frequentemente repetida de forma irrefletida. Tal prática deve ser interrompida.

ALEXANDER DUGIN E O CONTINENTALISMO IBERO-AMERICANO

16.06.2021

Dugin destaca que o debate sobre Geopolítica e Relações Internacionais adquiriu cada vez mais importância no meio acadêmico e científico. Ele destacou que embora existam diversos paradigmas nas Relações Internacionais, as escolas dos realistas e dos liberais são as hegemônicas nas universidades. Os primeiros consideram que a soberania é vital e que não deve haver instâncias supranacionais que limitem a capacidade do Estado nacional. Com esses princípios, o realismo apoiou o desenvolvimento econômico e as políticas de defesa nacional dos estados modernos.